24 de fevereiro de 2010

Que marca no relógio

Queria dedica-lo a algum leitor que me dedica entusiasmado, porque a manhã deste dia sem café me deixa mas vago que um quarto oblongo sem janelas. E os culpados não seriam as janelas que não existem ou o café não consumido. Culpe-se se quiser, mas não conheço o meliante que acinzenta o meio-dia. Se é um meliante ou o vento, um inseto ou uma música, não sei, mas sei que é escuro como um quarto oblongo sem janelas. Pensando bem, não há necessidade de janelas se tudo já é cinza, se tudo já é triste como as frases de um epitáfio. Na verdade essa manhã me lembra mais um epitáfio, lascado a mão com flores murchas e baldias, marcado o "Aqui jaz" de sempre, que sempre jaz na eternidade da morte.

Queria dançar ao túmulo dessa manhã quando o Sol desabar as três da tarde, quando as pombas almoçarem os almoços esmiuçados no chão e o cinza se tornar alaranjado como um poente esfacelado no céu.

Dedico isso a alguém que não tem os olhos da amada pelas manhãs mesmo de longe, alguém como minhas manhãs, álgido mesmo em meio ao calor e cinza em meio a atmosfera ensolarada. Dedico aos que não amam como eu, ou aos que amam mais que eu. Dedico aos que se culpam pelo cinza, que estão certos pois se culpam. Dedico a geografia e a língua portuguesa, pois me deram tempo e espaço para escrever.

Dedico ao frouxo brilhar dos meus olhos
Me dedico, pois se pelo contrário, tudo acaba em trevas.

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